O desenvolvimento de Bobby Portis na adolescência

Eu, Vinícius, escrevi essa matéria para o site Olho de Chicago no dia 3 de novembro de 2015. Como o site foi deletado, decidi postar aqui pois, além de ter gostado de escrevê-lo, acredito o texto que merece estar disponível para quem quiser aprender sobre o processo de crescimento dos jogadores antes das universidades. 

O rookie Bobby Portis caiu nas graças da torcida desde a Summer League e vem surpreendendo-nos cada vez mais. Leia o artigo e saiba como foi parte do processo de evolução dele antes de ir para o basquete universitário.

Todos sabem que é na adolescência que descobrimos e decidimos o rumo do nosso futuro e consequentemente desencadeamos uma série de evoluções.  No basquete, não é diferente. A decisão de seguir uma carreira na high school para tentar uma bolsa em uma universidade e mostrar seu talento com o objetivo de realizar o sonho de jogar na melhor liga de basquete do mundo é apenas o início. Dedicação, responsabilidade e até um pouco de sorte, para estar nos lugares certos e conhecer as pessoas certas, precisam acompanhar um atleta.

Não existe melhor jogador para ser incluído nesse exemplo que Bobby Portis, o novato do Chicago Bulls. O processo de evolução do seu basquete na adolescência com certeza é um dos motivos para seu atual sucesso.

Quando perguntado pelo nosso Twitter, em uma de suas “Perguntas & Respostas” na rede social, sobre quando percebeu que existiam chances dele futuramente jogar na NBA, Bobby respondeu que isso aconteceu no seu primeiro ano da high school (temporada 2010/11). Nesse ano o atleta ingressou no clube** Arkansas Wings Elite, onde foi muito bem acolhido pelo presidente e técnico Ronald Crawford.

Ronald Crawford sempre gostou de basquete, mas por motivos familiares e econômicos, não pôde batalhar pela carreira profissional. Ele jogou durante anos nas ligas empresariais e, quando seu filho começou a crescer e gostar do esporte, descobriu que havia dentro de si um treinador apaixonado e se dedicou com todo esforço à profissão.  Após o time escolar que treinara perder um amistoso por mais de 50 pontos para um clube da AAU (Amatheur Athletic Union), Ron pesquisou mais sobre esta entidade do basquete. Tomou conhecimento que os jogadores tinham que ir para outro estado na offseason da high school para competir por não haver um clube como o AAU em Arkansas. Assim, ele mesmo criou uma equipe sub-16, em 1981, deu-lhe o nome de Arkansas Wings. O sucesso foi tanto que hoje o clube tem mais de 20 times de diversas categorias. Disputam e ganham campeonatos de grande calibre, como os nacionais da AAU e o Peach Jam (EYBL), organizado pela Nike. Um tal de Derek Fisher passou pelas mãos de Crawford! É mole?

 

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Crawford (esquerda) também trabalhou com a seleção dos EUA. Sim, Kevin Garnett e Cia! 

 

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Crawford orientando um de seus jogadores na EYBL.

Portis chegou no Wings por causa de uma mescla de times feita para fortalecer ainda mais o clube: o time de Crawford e o Arkansas Legends juntaram seus jogadores sub-16 para fazerem duas equipes para disputar campeonatos. Ronald e a comissão técnica logo perceberam o talento do atual camisa 5 do Bulls e fizeram-lhe a proposta de jogar no maior evento de uma categoria acima da sua, a EYBL (Elite Youth Basketball League), que é sub-18. “A maioria dos meninos faria esse salto imediatamente e jogaria na frente dos maiores técnicos universitários, mas Bobby não, sua lealdade é gigante” disse Crawford, quando conversou com a Chicago Bulls Brasil. A lealdade que ele se refere é à sua mãe e aos seus teammates. Portis não queria deixar seus companheiros “na mão” (já que mudaria de categoria) e quis seguir os conselhos da mãe, que estava preocupada com o filho não ter tempo de jogo.

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Portis com o uniforme do Wings na EYBL.

Para a tranquilidade da mãe Tina, quando finalmente aceitou, Bobby conseguiu a titularidade do time em um jogo. E, no final do campeonato, foi ranqueado entre os 25 melhores jogadores, mesmo sendo dois anos mais novo que a maioria dos atletas.  Desapontado por não jogar tanto tempo em seu time da high school, ele se dedicou ao máximo para merecer um bom playing time: Trabalhou duro no Wings e sua mãe dirigia cerca de 20 km em praticamente todos os dias da primavera de 2011 para leva-lo para fazer treinamentos individuais com o coach Marcus Mc Carroll, quem sempre o treinou e acompanhou em eventos sem receber nada em troca. Crawford também ajudou, ao ver a vontade do garoto, chamou especialistas de fora para treina-lo: O ex-jogador e técnico Dee Brown e Ganon Baker, um dos melhores skills trainer do mundo, segundo ele.

Três específicos pontos de Portis foram desenvolvidos com Ron Crawford: “No Wings, nós forçamos Bobby a correr pela quadra (transição). Ele também se tornou um ótimo defensor e reboteiro ofensivo” nos disse o coach. Essas três qualidades foram algumas das que mais chamaram atenção dos especialistas do basquete universitário (foto) e dos torcedores do Bulls na pré-temporada, e devem fazer Bobby ser diferenciado dos demais, caso sejam desenvolvidas corretamente.

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Qualidades de BP desenvolvidas no Wings sendo reconhecidas pelo site especializado DraftExpress.

Bobby Portis fez história tanto no Wings, onde venceu o campeonato nacional da AAU sub-17, como na sua high school em Little Rock, onde ganhou o campeonato estadual nos três anos que disputou, sendo MVP no último. O jogador está realizando seu sonho: seguir os passos de seu mentor, Corliss Williamson. Já representou a Universidade de Arkansas no basquete universitário, ganhou o prêmio de SEC Player of the Year e foi draftado no primeiro round da NBA. Agora falta o principal, o anel. Vamos torcer para que BP, assim como no Wings, fique ainda melhor para ganhar tempo em quadra e que encontre pessoas como Crawford, que o ajudem em seu desenvolvimento para se tornar o que ele tem potencial para ser. Um All-Star.

*** Os clubes que o texto se referem não são high schools. Os campeonatos que estes times disputam acontecem no período em que não há jogos da high school e só os melhores de cada high school são selecionados para os clubes, tornando estes campeonatos, como o EYBL e o AAU National, muito mais competitivos que qualquer torneio colegial. High school = Ensino médio, colegial.

 

 

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